Covid-19 expõe a ferida da desigualdade no Brasil

Trabalho

A chegada do Covid-19 no Brasil trouxe profundas mudanças para os brasileiros, seja no aspecto social, educacional ou profissional. Essas mudanças fizeram refletir o tão desigual é a nossa sociedade.
O Coronavírus, que inicialmente acometeu pessoas com poder aquisitivo mais alto, que faziam viagens internacionais, atualmente chegou nas periferias e encontrou um ambiente propício na população que recebe até dois salários mínimos.
Segundo dados de outubro de 2019 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 25% das famílias brasileiras recebem até dois salários mínimos e 60% dos trabalhadores brasileiros — o correspondente a 54 milhões de brasileiros empregados com carteira assinada ou na informalidade sobrevivem com até um salário mínimo.
Somente com esses dados, verifica-se que 75% da população brasileira, neste momento, está sofrendo ou sofrerá alguma consequência ligada, direta ou indiretamente, ao aumento da desigualdade social provocada pelo Coronavírus.
Em matéria publicada pela Folha de São Paulo, no sábado 11/07, brasileiros de alta renda buscam imóveis de alto padrão, pagando até 50 mil de aluguel, para evitar a propagação do Coronavírus em São Paulo e enfrentar o isolamento social com mais “conforto”, o que contrasta com a realidade de milhares de brasileiros e expõe o precipício que a desigualdade promove no Brasil.

Enquanto muitas empresas adiantaram o processo de transferência de seus funcionários para regime home office, muitos outros trabalhadores não têm essa possibilidade.
O exemplo mais próximo de todos são os motoboys e os bikeboys que, neste período de pandemia se mostraram essenciais para que a população pudesse cumprir a quarentena, mas que no dia a dia, são extremamente mal valorizados e sofrem inúmeras formas de preconceito.
São profissionais que entregam de tudo, inclusive comida, contudo constantemente trabalham com fome, recebem uma remuneração muito baixa, ficam expostos a acidentes de trânsito com graves sequelas, sem mencionar a contaminação ao Covid-19.
Esses profissionais são os que entregam o delivery para essa classe média alta, que faz o pedido por aplicativo, paga no cartão de crédito e acaba não dando nem uma gorjeta para esses trabalhadores.

Educação

Foi necessário o fechamento de escolas e a decretação de isolamento social para conter a proliferação do vírus, o que fez com que o ensino a distância ganhasse força no Brasil, mas novamente a desigualdade social mostra suas garras diante do fato de que milhares de brasileiros e brasileiras encontram-se sem acesso aos estudos por falta de internet.
Agora, por pressão econômica, discute-se a reabertura das escolas para que os trabalhadores tenham onde deixar seus filhos enquanto são obrigados a trabalhar, o problema será conseguir manter a higiene num ambiente que mal fornecia papel higiênico para alunos e professores e, acima de tudo, nunca conseguiu controlar a infestação de piolho nas crianças, mas que neste momento precisa conter o Coronavírus.

Aspecto social

É fácil ter uma ideia definida sobre ser contra ou a favor do isolamento social quando se vive numa casa grande, com ambientes arejados, limpos (por empregada ou não), geladeira cheia e crianças em aulas virtuais diárias, o problema é estar em regiões como o Grajaú, em São Paulo, morando com oito pessoas em uma casa com dois quartos, sala, cozinha, isso no melhor dos cenários.
Em que uma pessoa é obrigada a sair diariamente de casa para trabalhar e enfrentar o transporte público lotado, o que aumenta o risco de contágio, se infectada acaba passando para todas as outras pessoas da sua família, pois não tem espaço nem para cumprir seu isolamento.
Entre os fatores que vieram à tona com a chegada do Coronavírus no Brasil, a mais gritante sem sombra de dúvidas é a desigualdade social.

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