Em 20 Estados foram registrados atos de motoboys e bikers contra os apps de delivery

A data de 01 de julho de 2020 entrará para a história das lutas trabalhistas, sendo o dia do levante nacional da categoria dos entregadores de delivery contra a precarização das relações trabalhistas, promovidas por empresas de aplicativo.

Entre as reivindicações da categoria estão a melhoria das taxas por quilômetro rodado, fim dos bloqueios indevidos dos entregadores, equipamentos de proteção contra o coronavírus e a contratação de seguro de vida e contra roubo e furto de veículos. Os registros são de que as manifestações ocorreram em pelo menos 20 Estados.

• São Paulo – com cerca de cinco mil participantes, a capital paulista parou. A manifestação saiu da sede do sindicato dos motoboys (SindimotoSP), por volta das 11 horas, no bairro do Brooklin, seguiu pela Marginal Pinheiros, subiu a Av. Rebouças e chegou até o Tribunal Regional do Trabalho (TST) 2ª Região, onde a categoria tem duas ações civis públicas exigindo responsabilidade social desses aplicativos.

No TRT foi protocolado um ofício, reiterando a pauta de reivindicação da categoria e em seguida os manifestantes se dirigiram até a Av. Paulista, onde se concentraram em frente ao MASP.

Segundo Gerson Silva, presidente interino do Sindicato dos Motoboys, as empresas de aplicativo têm o motoboy ou o biker como algoritmos e não como pessoas que têm família para sustentar ou que estão desenvolvendo uma atividade de risco. Então se algo acontece, o motoqueiro cai ou se atrasa na entrega, esse trabalhador será bloqueado do aplicativo numa punição que pode ser de três horas a três dias, a depender do critério deles.

“É bonitinho ver na televisão a propaganda dos aplicativos dizendo que estão distribuindo máscaras e álcool gel, mas na realidade isso não acontece. Quando um motoboy é contaminado e comunica o aplicativo, ele é orientado a procurar o serviço de saúde pública e bloqueado por 15 dias. E o tal fundo para socorrer os trabalhadores que se acidentaram em trabalho, não passa de história, pois no último mês quatro motocas se acidentaram, alguns precisaram de amputação e não conseguem acessar essa tal fundo, mostramos isso no site do Sindicato”, disse Gerson.

• Rio de Janeiro – Por volta das 10h30, um grupo de motociclistas pilotava na Avenida Presidente Vargas e se concentrava na Igreja da Candelária. Às 11h, o grupo chegava ao Ministério do Trabalho, que fica na Avenida Presidente Antônio Carlos, na mesma região. Muitos motoboys desceram das motos e empurravam os veículos, sendo escoltados por policiais militares.
• Belo Horizonte – Na capital mineira, os entregadores realizaram manifestação em frente à Assembleia Legislativa.
• São Luís – no Maranhão, os entregadores fizeram uma grande barreira no acostamento de uma das principais avenidas da cidade. “Não é mole, não. Aplicativo é só humilhação”, gritavam.
• Espirito Santo – Motoboys e entregadores capixabas de delivery aderiram ao boicote contra os aplicativos de entrega como Ifood e Uber Eats, entre outros. O ato, em Vitória, começou por volta das 10h na praça Regina Frigeri, em Jardim da Penha. Os entregadores estacionaram as motocicletas, empilharam as mochilas térmicas sobre o chão e cruzaram os braços.
• Bahia – A manifestação aconteceu em frente ao Shopping da Bahia e Salvador Shopping, em Salvador.
• Brasília – Por volta de 11h30, motoboys e entregadores por aplicativo se concentraram em frente ao Congresso Nacional, na Alameda das Bandeiras.
• Paraná – Em Curitiba também houve ato, começando as 9 horas, na Praça Eufrásio Correia.
• Pernambuco – O ato aconteceu em frente ao Centro de Convenções, em Olinda, às 8h.
• Rio Grande do Sul – Em Porto Alegre, o grupo se reuniu na Praça da Alfândega para protestar contra as empresas.
• Ceará – Os trabalhadores bloquearam trechos do entorno da Praça Portugal, no Bairro Aldeota, em Fortaleza.
• Paraíba – O ato foi cancelado após vazamento de áudio ameaçando os trabalhadores que aderissem à paralisação, o que pode se caracterizar uma afronta ao livre direito de manifestação.
• Goiás – Em Goiânia os motocas fizeram um ato pelas ruas da cidade.

Entre outras regiões, que mobilizaram milhares de trabalhadores.

Segundo estudo da revista Trabalho e Desenvolvimento Humano, que entrevistou entregadores de apps em 29 cidades, mais da metade (54%) dos profissionais trabalham entre 9 e 14 horas por dia, índice que aumentou para 56,7% durante a pandemia. Entre os ouvidos, 51,9% relataram trabalhar todos os dias da semana.

Precarização do trabalho
O baixo nível de cuidado das empresas de entrega com os motobys está diretamente relacionado aos esforços que os aplicativos têm com a Justiça para manter as relações como ‘prestações de serviço’. É justamente por isso que o movimento se chama ‘paralisação‘ e não ‘greve‘. Greve é um direito de trabalhadores.

Os motoboys não têm CLT, são pejotizados. Por isso, não reclamam na Justiça do Trabalho. Não ganham indenizações. Não têm fundo de garantia. Não têm vale-alimentação, nem plano de saúde. Se um deles morrer em serviço, não há responsabilidade da empresa. E justamente por isso, podem ser ‘desligados‘, um eufemismo bonito para ‘demitidos‘, a qualquer momento.

Com a informações de agências

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