Instrutora de moto escola supera assédio e preconceito e vence concurso

O trabalho da instrutora de trânsito Regiane Marangne, 34 anos, começa às sete da manhã com aulas práticas de moto ou carro. Seus alunos não têm padrão de idade, escolaridade, sexo ou classe social. Em comum apenas a ansiedade de conseguir a sonhada “carta” ou CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

Mas, para isso, dependem da instrutora, também formada em psicologia, para conhecer e dominar o veículo, treinar e passar no exame prático. “Sempre gostei de ensinar, quando me tornei instrutora foi uma grande realização”, afirma a moradora de Jundiaí (SP) que exerce a profissão há dez anos e venceu o concurso “Instrutora Nota 10”, promovido pela revista Moto Escola, com apoio da Honda e do Sindicato das autoescolas e CFCs do Estado de São Paulo.

Mercado de trabalho.

Mercado de trabalhoEntre os cinco finalistas do concurso Instrutor Nota 10, Regiane era uma das duas mulheres

Os números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que muitas mulheres trabalham “fora”. Em 2019 havia 48 milhões de mulheres exercendo atividades remuneradas contra 58 milhões de homens. Apesar do equilíbrio no cenário nacional, a função de instrutor de trânsito é predominantemente masculina.

“Em Jundiaí existem quase 100 instrutores, mas apenas dez são mulheres”, lembra Regiane que começou a ministrar aulas teóricas aos 24 anos. “Muita gente me achava novinha e duvidava da minha capacidade”. Ela lembra que um grupo de alunos a testava para desafiar sua autoridade e conhecimentos. “Aos poucos fui me impondo”, conta ela.

Outras dificuldades surgiram quando ela começou a dar aulas de moto. “Eu tinha que levar os alunos na garupa e alguns se aproveitam, numa clara atitude de assédio”. O fato a incomodava e fez com que ela quase desistisse. “Hoje, se percebo uma atitude mais ousada, olho feio e peço para o aluno ficar mais distante”, ensina.

O preconceito também era visível entre os colegas de profissão. “Muitos duvidavam que eu soubesse dirigir carros, pilotar motos, ou que pudesse ensinar”, mas, aos poucos, o conceito foi mudando, afirma Regiane.

A desconfiança da capacidade feminina existe até mesmo entre as mulheres. A empresária Adaiane Marangne Pereira da Silva, proprietária do CFC Hortolândia, relata casos de alunas que não querem ter aulas com instrutoras. “Algumas ainda preferem instrutores homens”.

A presença masculina também é marcante na diretoria das auto escolas. “Entre os 28 CFC´s de Jundiaí, apenas quatro pertencem a mulheres”, destaca a empresária.

Na opinião do presidente do Sindautoescola.SP (entidade que reúne os proprietários de auto escolas e CFC´s do Estado de São Paulo), Magnelson Carlos de Souza, esse cenário está mudando. “A mulher vem se destacando e assumindo protagonismo em várias áreas. No setor de autoescolas não é diferente”.

Ele afirma que a participação crescente das mulheres contribui para diversificar e aprimorar a formação dos novos condutores.

Fonte: UOL

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