Julho de luta marca o embate histórico dos entregadores de delivery contra a precarização dos Apps

Nesta terça-feira (14), os motoboys e bikeboys de aplicativos realizaram a segunda grande manifestação da categoria em menos de 15 dias. A ação teve concentração na sede do Sindicato dos Motoboys de São Paulo, na zona sul da cidade e reuniu cerca de três mil pessoas.

Os trabalhadores percorreram as ruas da capital paulista. Passaram pela Câmara dos Deputados e encerraram na frete do Tribunal Regional do Trabalho 2ª Região, onde as 16 horas ouve uma audiência de conciliação com as empresas de aplicativos (APPs).

A audiência, que aconteceu virtualmente poderia representar a vitória da categoria sobre as empresas de APPs, mas precisou ser adiada por conta de problemas técnicos com o equipamento de transmissão, a nova data ainda não foi definida.

A manifestação tem como pauta o aumento do valor de entrega; aumento do valor pago por quilômetro; redução da jornada; contratação de seguro de vida; equipamentos de proteção, máscaras e álcool em gel; fim dos bloqueios e desligamentos indevidos; e licença remunerada para os contaminados pela Covid19.

A manifestação

Eram 09 horas de uma manhã fria em São Paulo quando as primeiras motos começaram a chegar na sede do Sindicato dos Motoboys. Em pouco tempo a rua estava completamente lotada de motoboys e bikeboys que reivindicavam contra a precarização e a escravidão promovida pelos APPs.

Por volta das 11 horas, os trabalhadores pacificamente e escoltados pela polícia militar, percorreram a Avenida dos bandeirantes, Marginal Pinheiros, subiram a Avenida Rebouças e desceram a Rua da consolação até a Câmara dos Vereadores, onde fizeram um ato político que contou com o apoio de parlamentares, como o vereador Adilson Amadeu. Em seguida se dirigiram até a frente do Tribunal Regional do Trabalho 2ª Região, onde encerraram o ato.

O vereador Adilson Amadeu, incansável defensor das pautas dos motoboys ressaltou que seu gabinete está inteiramente de portas abertas para todos da categoria e enfatizou que defende que as empresas de APP tenham responsabilidade para com os trabalhadores, defendendo a Lei 578/2019, que dispõe sobre regras de segurança para o transporte remunerado de mercadorias em motocicletas.

O ato contou com a participação do Sindicato dos Padeiros, que distribuiu lanches para os manifestantes, Sindicato dos Comerciários e das centrais sindicais UGT (União Geral dos Trabalhadores) CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil) e Força Sindical.

Ricardo Patah, presidente nacional da UGT ressaltou a importância dos trabalhadores motoboys, motofretistas e bikeboys no Brasil, lembrnado o protagonismo desses profissionais diante da pandemia de Covid-19.

Um grande aplauso para os profissionais de saúde

Quando os trabalhadores subiam a Avenida Rebouças, o carro de som que conduzia a manifestação parou. Por um instante os cerca de 3 mil motoboys aplaudiram o trabalho dos médicos, enfermeiros, auxiliares, o pessoal da limpeza, os seguranças e todos os profissionais que trabalham no Hospital das Clínicas, um dos centros de referência para tratamento do coronavírus no estado de São Paulo.

O Lucro dos APPs

Após realizar uma entrevista com o presidente interino do SindimotoSP, Gerson Silva Cunha, já fora do ar a jornalista indagou: “Esta é uma dúvida minha, quem vai comprar um lanche que seja, se vocês estão querendo cobrar de quatro a seis reais no valor da entrega, vocês não acham que fica inviável comprar um lanche de R$ 14 e pagar R$ 20 pela entrega?”

Gerson reforçou que a intenção da manifestação não é aumentar o valor da refeição por conta do frete, contudo há de se contar a comodidade do recebimento da sua refeição seja em casa ou no escritório, além disso é preciso avaliar o montante arrecadado pelas empresas e o repasse que elas fazem aos trabalhadores.

“A empresa cobra um percentual pelo uso do aplicativo do estabelecimento onde o produto é retirado, além disso acaba ganhando encima das entregas que são feitas, pois antes do surgimento dos APPs, as corridas tinham um valor entre R$10 e R$12, atualmente essas empresas pagam menos de R$1 real o quilômetro rodado, o é um absurdo, sem levar em consideração o risco que se corre”, diz Gerson.

“Como uma empresa que chegou no Brasil com um capital de cerca de 500 mil reais, que não tem funcionários ou sede, em três anos, passou a valer mais de 3 milhões de dólares”, concluiu o dirigente.

Durante o ato, os trabalhadores anunciaram que no próximo dia 25 de julho, poderá acontecer nova manifestação a nível nacional.

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