Motoboy da Rappi morre e empresa ignora

O fato aconteceu com o profissional fazendo entregas. Cliente que receberia à encomenda ligou de imediato para o serviço de atendimento, mas foi orientada para que informasse ao motoboy, que agonizava, desligar o celular para não atrasar as outras entregas.

Thiago de Jesus Dias, 33 anos, que era entregador da empresa Rappi, morreu no início de julho após passar mal e não receber atendimento enquanto trabalhava. O motoboy fazia um entrega em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo, quando se sentiu mal.

O entregador chegou ao local se queixando de fortes dores de cabeça e muito frio para os clientes que esperavam à entrega solicitada pelo aplicativo da Rappi.

Com a piora do estado de saúde do motociclista, eles próprios realizaram o primeiro atendimento a Thiago oferecendo água e cobertores, ainda na calçada. Nesse momento, o entregador teria pedido para entrarem em contato com o aplicativo para que avisassem que não poderia realizar as outras entregas programadas.

Segundo uma das pessoas que realizaram o socorro, a resposta da Rappi foi insensível, apenas solicitando para que fosse dada baixa no pedido, para que eles conseguissem avisar os próximos clientes que não receberiam seus produtos no horário previsto.

Passado uma hora e 30 minutos desde o primeiro contato com os órgãos de resgate, Daiane, irmã de Thiago, chegou ao local onde ele estava. Dois motoristas da Uber (o que a trouxe e um segundo chamado), negaram o socorro. Foi quando o amigo de Thiago chegou de carro ao local, e ele pôde ser encaminhado ao hospital. Quando Daiana recebeu o primeiro diagnóstico, já eram 2h da manhã. Ela foi informada que o motociclista teve um acidente vascular cerebral (AVC). Às 4h, o quadro de saúde de Thiago piorou e o óbito foi confirmado no dia 08 de julho.

Nessa história, A Rappi, empresa que funciona por meio de aplicativo no Brasil desde julho de 2018, limitou-se a lamentar o ocorrido e assim, esquivar-se de qualquer obrigação ou responsabilidade.

A empresa, como outras que atuam com aplicativos no setor de motofrete, exploram os motofretistas, precarizam relações trabalhistas, diminuem valores de corrida cada vez mais, expondo o profissional a longas jornadas de trabalho.

Atualmente, corre no Ministério do Trabalho, processos contra a Rappi devido a situação precária que o trabalhador motociclista se encontra.