O perigo em usar pneus remoldados

Recebemos muitas consultas sobre a utilização dos pneus remoldados. Na maioria delas a primeira pergunta sempre, é porque o pneu remoldado custa menos que um pneu original? Somo a essa pergunta outra questão: quanto vale sua vida? Certas economias podem custar muito caro, quando se trata de segurança.

Desde abril de 2004, a Resolução Contran 158, proíbe o uso de pneus reformados em motocicletas, seja por processo de recapagem, recauchutagem ou remoldagem. Em 2015, a Portaria Inmetro 554, determinou a proibição do serviço de reforma de pneus destinados ao uso em vias públicas para motocicletas, ciclomotores, motonetas e triciclos. Recentemente foi solicitado ao Inmetro a revogação do artigo 6o, da Portaria No 554, o que somos radicalmente contra, principalmente em se tratando de um item tão importante quanto o pneu.

O pneu da motocicleta não foi projetado para ser reformado, são projetados com o objetivo de garantir adequadamente a segurança e a dirigibilidade, bem como se sofrerem reforma certamente é muito difícil de preservar suas características. A falta de uniformidade da banda de rodagem com certeza compromete a segurança do motociclista. Outra preocupação de todo os fabricantes de pneus, é que durante a vida útil do pneu as condições de rodagem são diferentes e cada carcaça passa por um desgaste diferente da outra. Sendo assim cada carcaça deve passar por uma avaliação especifica para avaliar as condições de uma possibilidade de reforma. Não é possível avaliar adequadamente essas condições através de uma inspeção visual, mesmo que detalhada não é capaz de detectar problemas estruturais.

O pneu é o único ponto de apoio com o solo que a moto tem e não podem falhar. São anos de pesquisas, investimentos em tecnologia e desenvolvimento do produto. É necessária a intensificação da fiscalização sobre empresas que fazem a remoldagem e vendem pneus sem a certificação. Além do que o pneu remoldado dura muito menos tempo que um pneu original e o motociclista acaba tendo que trocar antes do tempo.

Como empresário do setor e como presidente da Anfamoto, sou contra qualquer medida que ponha em risco a vida do motociclista. Não podemos concordar que nenhum interesse comercial possa sobrepor a segurança e a vida de quem pilota. Em 10 de setembro, será realizada Audiência Pública, na Câmara dos Deputados em Brasília, para discutir o assunto.

Boa leitura, Orlando Leone – Presidente da Anfamoto – Associação Nacional dos Fabricantes e Atacadistas de Motopeças.